Publicado por: grupovissungo | 17/07/2011

Grupo Vissungo e Grupo Maria Déia: O futuro de novo

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Tem jeito não: As sombras do Passado sempre se dissipam com as luzes do futuro

Vejam o emocionante e.mail que acabam de me repassar:

” Em 21/06/11 05:18, allguitars escreveu: “Caros amigas e amigos do Memorial Lélia Gonzalez, O Grupo Vissungo de jurassico nunca teve nada! Nao imitavam Stevie Wonder nem Bob Marley quando outros, que nunca se importaram com a identidade negra, preferiram uma alternativa comercial gringa colorida velha associada ao “desbunde”, segundo a vontade das multinacionais!

O Grupo Vissungo tinha os olhos e ouvidos no futuro – Antonio Espirito Santo e seus companheiros sao verdadeiros herois da cultura negra brasileira, quando disserem esses nomes tirem o chapéu!

Aqueles musicos foram capazes de salvar memorias importantissimas e inseri-las em composiçoes de perfil muito avançado para a época, onde a imprensa mentia e a maioria dos jornalistas da critica (assim como os intelectuais financiados pelos orgaos oficiais para “escrever” a historia da Musica Brasileira) nao sabia distinguir um acorde de la’ menor de um outro de do’ maior.

Distante milhares de quilometros do Brasil sinto a grande emoçao de ver o retorno do Grupo Vissungo à cena musical. Um abraço aos colegas do Grupo Vissungo!”

Maestro Alberto Chicayban ex-Grupo Maria Déia

Udine – Italia”

—————–

Me lembro claramente dos shows que fizemos em mil novecentos e setenta e tal com o duo (que para mim era um trio) Grupo Maria Déia no Teatro Guaira em Curitiba. Éramos, os dois grupos de jovens musicos, referencias e exemplos do que havia de novo e promissor na música popular do Brasil no meio das então ‘feras’, ‘monstros sagrados’ de nossa tão criativa MPB, como Ivan Lins, Gonzaguinha, João Bosco, Aldir Blanc, envolvidos e organizados nós todos em torno da SOMBRAS, entidade que promovia shows Brasil afora numa encarniçada luta pela moralização dos direitos autorais no Brasil, luta que culminou com a criação do, infelizmente hoje famigerado ECAD.

O grupo Maria Déia (Chico de Oliveira e Alberto de Castro Chicayban) de que eu me lembro, propunha uma música nordestina com sabores modernos, algo judaicos, bascos-brasileiros, árabe-ibéricos, algo assim tão indefinível e inusitado para as platéias de então, quanto o som do seu irmão Grupo Vissungo, que de sua parte fazia uma abordagem musicalmente não menos moderna, da música negra mais afundada nos recônditos cafundós dos preconceitos de nossa arcaica e recorrente cena musical comercial daquele Brasil de chumbo.

O Vissungo fazia – e faz – música negra em vários sentidos, africana, lusa, rural, urbana, diaspórica, universal, não menos impregnada em nós, em nossas origens e nossa descendencia, a ser traduzida em modernidade para escapar das amarras do folclorismo paralisante que mantinha – e de certo modo ainda mantém – a rica musica dos negros do Brasil, ora no gueto escuro das cozinhas e terreiros ‘para inglês ver’, ora no também gueto dos norte americanismos fake-pops do mainstream de ocasião.

Musica de negros para todos.

O bom e velho amigo Alberto Chicayban fala, portanto do que viu e viveu, daquela nossa vontade – agora quase imortal – de sacudir a mediocridade que, jovens de então, nos sufocava e inspirava uma música sem fronteiras bobas. Bom demais saber que velhos na idade – a terceira já de nossas vidas – ainda somos os mesmos jovens e não vivemos submissos como nossos pais (e muito menos como nossos filhos). Muito além dos sabiás, bom demais saber que a juventude gorgeia como passarinhos em nós – como lá – aquelas mesmas canções de um futuro cheio de palmeiras e franca liberdade.

Abraço caloroso no Alberto Chicayban!

Spírito Santo

Junho 2011, Brasil


Respostas

  1. Adorei ler as lembranças de vocês. Só uma pequena correção: o Maria Deia era formado por Chico Moreira e Alberto de Castro na época da gravação do disco; teve também outros integrantes, como Nelson Guerchon, Ronaldo Florentino e Luís Duarte.


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